Bolívia!

29.01.2016

Hoje a gente segue para a Bolívia!

 

Negligenciada por muitos viajantes na América do Sul (“Mas quem vai para lá?” Sabe de nada inocente!), a Bolívia é um dos países mais fascinantes do continente, acredite!

Venha comigo do Deserto de Siloli à muvuca de La Paz, do Salar de Uyuni ao belíssimo Lago Titicaca! De Norte a Sul num dos destinos mais econômicos de todo o Mochilão Andino!

 

A Bolívia não tem as melhores estradas entre os países andinos. Às vezes não há nenhuma estrada mesmo. Partindo do Chile, a melhor opção ao cruzar a fronteira é seguir para a pequena cidade de Uyuni. Você pode seguir numa longa viagem de ônibus e trem, tendo que cruzar pelo Noroeste da Argentina, que dura mais de um dia OU você pode fazer o que a maioria dos Mochileiros faz – e que eu super recomendo – o Tour do Salar!

 

Ao sair de San Pedro de Atacama, você carimba sua saída do Chile no passaporte e segue de van até a fronteira sem nenhuma estampa, momento “estou no limbo”. Chegando nas montanhas, você entra num mini escritório de imigração meio precário que te estampa a entrada na Bolívia (guarde todos os papéis que eles te derem, você pode precisar na saída!). Brasileiros não precisam de visto prévio e recebem a estampa sem grandes problemas; seja simpático. De lá, você segue para os 4x4, rola uma confusãozinha enquanto todos são divididos em grupos de 6 pessoas (tente já organizar seu grupo) que seguirão para o tour com motoristas e carros bolivianos. (Leia as Dicas do Gui no final da matéria para mais infos sobre os tours).

 

Após o café da manhã, o caminho pelo deserto do sul da Bolívia adentra a Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa (guarde bem o bilhete!), que abrange uma área de mais de 7000km² e inclui as maiores atrações do passeio como as diversas Lagunas (Blanca, Colorada, Hedionda, Verde, Negra, etc), dezenas de vulcões, formações rochosas pitorescas e muito, muito deserto. O caminho desde San Pedro ascende já no primeiro dia a 5000m de altitude, o que pode fazer alguns viajantes sentirem os severos efeitos do Mal da Montanha (leia mais aqui). Nesta altitude é possível ver os gêiseres Sol de Mañana – fumarolas com cheiro forte de enxofre e rochas derretidas com lama borbulhando.

O passeio segue por hot springs (águas termais) – leve roupa de banho se quiser entrar, Deserto de Dali, Árvore de Pedra, Miradores e diversos pontos onde se avistam flamingos, vicuñas e gansos andinos. São 3 dias e duas noites no total e a infraestrutura é precária, então siga preparado! (leia as dicas no final!) A primeira noite é num lodge extremamente básico, com luz por tempo limitado e sem chuveiros. Pode fazer muito frio, principalmente no inverno, uma vez que ele está próximo a Laguna Colorada, a mais de 4000m de altitude. A segunda noite oferece um mínimo conforto com água quente limitada e quartos duplos num hotel feito de blocos de sal. No terceiro dia você está moído, mas você esquece de tudo quando você acorda às 5am para ver o sol nascer no tão aguardado Salar de Uyuni!

 

É revigorante! Você encontra forças para criar as poses mais bizarras e tudo isso antes mesmo do café da manhã, que acontece na ilha Incahuasi (dos Cactus Gigantes). De lá você segue para planícies cada vez mais branquinhas e infinitas (com sorte e um pouco de chuva, você pode observar o lindo efeito espelho!), até o almoço num povoado extrator de sal. O Passeio acaba em Uyuni, mas antes você é levado a conhecer o Cementério de Trenes – um depósito de trens antigos que acabaram em parte sendo depredados, mas viraram atração turística e garantem fotos ótimas.

 

Em Uyuni você tem duas opções: dormir uma noite na cidade – que não tem muito a oferecer – ou seguir num bus noturno 12h, sentido La Paz. (Há a opção de seguir de bus até Oruro e de lá pegar um trem até La Paz, uma opção um pouco mais rápida – cerca de 10h/11h – mas que depende de horários e de lotação em épocas de alta temporada).

 

La Paz é uma muvuca e ao mesmo tempo muito interessante. Depois que você entende o mapa, tudo fica bem lógico... até lá é um pouco complicado. O mais simples é tomar a Iglesia San Francisco como ponto central da sua visita. A avenida principal muda de nome várias vezes e parte desde a Rodoviária passando por lá. Para trás da Igreja fica a Calle Murillo e a Linares – a famosa Calle de las Brujas, com artigos de ocultismo e shamanismo, além de artigos turísticos e artesanatos. Já afrente da Igreja, do outro lado da avenida, fica o bairro do centro antigo. Imagine um pequeno roteiro que suba da Calle Ingavi até a Sucre (não se esqueça de passar pela charmosa e artística Calle Jaen) seguindo Leste até a Plaza Murillo e a Catedral. Você pode retornar ao ponto de início pela Calle Comércio, uma rua pedonal.

 

O lado mais novo da cidade fica um pouco mais distante, a Leste, mas você pode alcançá-lo de micro ou mesmo numa longa caminhada, seguindo a mesma avenida principal. As noites mais recomendadas encontram-se na Av. 20 de Octubre. Para passeios em meio à natureza, recomendaram o Parque Urbano e os Miradores, mas eu não tive tempo de visitá-los. Um passeio que vale muito a pena é utilizar o transporte público de teleféricos que ligam La Paz a El Alto – hoje cidade autônoma. A linha vermelha parte detrás da Cervejaria, próxima à Rodoviária, e passa por cima do gigantesco cemitério morro acima. Ele é bem moderno, estável e permite visuais incríveis da cidade. No ponto final é possível ainda subir ao Mirador da estação para uma panorâmica ou uma vista das luzes noturnas da cidade. A comunicação entre a Linha Vermelha e as demais, todavia, não é muito fácil pois não há conexão direta.

 

El Alto concentra uma área industrial grande e diversas ruas com feiras populares e arquitetura típica, mas é menos segura e mais fria que La Paz. Lá você encontra a rua dos “Brujos” – toda sorte de leitores de mão, tarô e curandeiros que atendem em cubículos azuis ao longo da avenida com fogueiras na frente – e a atração para turistas Cholitas Wrestling – uma espécie de luta livre de mulheres vestidas com trajes típicos.

 

As opções de passeios em La Paz ainda incluem a descida de bicicleta da Estrada da Morte – por favor, escolham uma companhia confiável, com bons reviews e com carro de apoio. São até 6h de descida e o preço pode ser bem salgadinho, BOB350-750 (USD50-108). Há o próximo Valle de La Luna de La Paz, uma formação rochosa que pode ser avistada do Teleférico e que pode ser alcançada de micro ou taxi ou tour. E há uma viagem histórica, que eu recomendo, à Tiwanaku – um centro de escavações de uma cultura pré-incaica com templos e esculturas que resistiram ao tempo. A melhor maneira de se chegar é por meio de um tour com guia, cerca de BOB90 (USD13) + Entrada para Estrangeiros BOB80 (USD11.60). Há opção de almoçar próximo ao local (Entrada+Principal+Frutas BOB35/USD5).

 

Saindo de La Paz, a viagem segue para o lado boliviano do Lago Titicaca, Copacabana! A viagem de ônibus é curta mas um pouco demorada porque passa por diversas montanhas e há até o cruzamento de um estreito de barco (Tiquina: BOB1,50). Copacabana é bem compacta, os ônibus e agências concentram-se na Av. 16 de Julho e os atrativos turísticos e principais restaurantes na Av. 6 de Agosto, que segue até o cais. Os pontos principais de interesse são as praças, o mercado de rua, a imponente Catedral, a subida ao Cerro Calvário para ver o pôr-do-sol e – a que atrai a maioria dos turistas – a visita a Isla del Sol.

 

A ilha fica distante 1h30 de barco e há algumas opções de visita:

  1. Você pode dormir na Ilha – Escolha um Hostel próximo ao cais ou você poderá ter de subir mais de 500 degraus até chegar ao seu com mala nas costas. Dormir na ilha te permite visitar o Lado Norte, com outros povoados e mais ruínas, no seu tempo. Cada povoado cobra um certo “pedágio”, que custa entre BOB5-10(USD0.72-1.45). Os barcos de volta a Copacabana partem do Lado Sul e a travessia N-S de toda a ilha a pé demora pouco mais de 4h.

  2. Você pode ir para a Ilha de manhã e voltar de tarde – Escolha um barco que te deixe no Lado Norte da Ilha, assim você caminha até o Lado Sul e volta no barco do final da tarde, que parte entre 16h-17h. Conhece-se mais, gasta-se menos.

  3. Day Trip – Você não tem tempo e já quer ver a ilha no dia em que chegar a Copacabana. Às 13h30 partem barcos para a Isla del Sol que retornam às 16-17h. É muito pouco tempo, mas você pode conhecer a Escalera de los Incas (a escadaria com seus 500 degraus), vistas do topo e o Templo do Sol na volta, o básico do Lado Sul. Negocie e você pode pagar meros BOB25 ida-volta de barco (USD3.60).

 

Copacabana fica ao lado da fronteira com o Peru, sendo uma ótima opção, para quem vai seguir viagem para o Peru, já comprar um bus La Paz – Copacabana – Puno. Ele sai por BOB77 (USD11), na Kanoo Tours – padrão turístico.

 

A Bolívia tem os artesanatos mais baratos de toda a viagem. Se você pretende comprar lembrancinhas, esculturas ou decorações, este é o país. Negocie e aproveite!

 

 

DICAS DO GUI

  • Negocie seu Tour de Uyuni diretamente em San Pedro de Atacama e pechinche mesmo! Se você comprá-lo junto a outros tours locais (Ler sobre Chile e Atacama) o preço pode cair mais ainda, mas fique atento a cias que dão garantias! As melhores, dentre as consultas com outros mochileiros, são Cordillera e Estrela del Sur. Eu fechei direto com o Hostel porque vi pessoas retornando do tour (há opção de retornar à SPA no 4º dia) e fiz com a boliviana Uturunku Travel, uma empresa nova, mas com motoristas experientes – o que é mister nestes passeios. Confirme qual a empresa utilizada por seu Hostel. Os preços giram em torno de CLP110000 (USD155), mas podem cair para até 85000-90000 (USD120-126.70). Estão inclusas: as duas noites e três refeições por dia; Leve cerca de BOB250 em dinheiro para entradas, banheiros e taxas. Independente da cia que você escolher, na fronteira você seguirá com motorista e carro bolivianos, várias empresas vendem exatamente o mesmo tour, então você pode ir junto com pessoas que compraram em outra agência. Também é possível comprar este tour em Uyuni, sentido San Pedro de Atacama. É de bom tom dar gorjeta ao seu motorista/guia/cozinheiro/dj da viagem. Cerca de USD5 de cada já são bem-vindos, combine com o pessoal do tour de darem juntos.   ;-)

  • Vá preparado! Leve: Protetor Solar, Hidratante Labial, Lenços Umedecidos, 5L de água, roupas quentes – mesmo no verão – chapéu/boné/gorro, lenço, óculos de sol, tênis confortável, bateria reserva para a máquina. Ibuprofeno, Plasil e Dramin ajudam. Biscoitos, salgadinhos e snacks para a viagem – não há muito onde comprar pelo caminho. Evite levar frutas.

  • Chás de Muña e Coca ajudam a atenuar o mal-estar causado pelo Mal da Montanha, mas evite comer em excesso ou muito tarde, pois a digestão fica muito mais lenta lá em cima e você pode ficar enjoado rapidamente.

  • Leve SEMPRE dinheiro trocado pela Bolívia! BOB1,2,5 resolvem sua vida. Pelo caminho, se você não quiser ir atrás de uma pedra, você deve pagar pelo banheiro, pelo chuveiro, pela água, por quase tudo e ninguém troca notas grandes.

  • No Tour, prefira o banco do meio se você tiver mais de 1,80m. É o local mais estável e com mais espaço para pernas! Atrás é péssimo, na frente talvez. Leve pequenos brinquedinhos para fazer fotos com perspectiva no Salar. Prepare o ouvido para muita música boliviana!

  • Em La Paz, não ande com muita coisa à mostra como câmeras e bolsas, a cidade é grande e no começo pode ser bem confusa. Evite caminhar em calçadas de grandes avenidas pois os carros não tem bons catalizadores e a fumaça é sufocante. Na Calle Jaen, visite a galeria de Mamani Mamani!

  • Geralmente o Menu Turístico anunciado nos restaurantes inclui: Entrada (sopa, muitas vezes de quinoa), principal (carne ou peixe) e postre (fruta ou pequena cortesia). Informe-se sobre bebidas que podem não estar inclusas. É cortês deixar taxa de serviço, muitas vezes não cobrada na conta.

  • Em frente à Rodoviária de La Paz, caso se perca, pegue apenas taxis cadastrados. Eles estão estacionados em local próprio na frente da estação e tem o número de telefone na porta (todos iguais). Combine o preço antes, negocie se quiser, evite chegar já em grupo pois o preço pode subir. Uma viagem até seu hostel na área central não deve custar mais de BOB15-20 (USD2-3) total. Na dúvida, informe-se na “janelinha” de Informações Turísticas.

  • Recomendo o badalado Hostel Loki - La Paz e o recém inaugurado e super familiar Hostal Florencia em Copacabana. Não recomendo o Bash and Crash – La Paz.

  • Ande sempre com água, na altitude você desidrata e não percebe, mesmo se não estiver muito calor.

  • buses noturnos que fazem a ligação Uyuni – La Paz. Você pode consegui-los diretamente na rodoviária, com opções leito bem em conta, já economizando uma noite em Hostel. A única opção que permite pré-booking é a Todo Bus, um ônibus semi-leito turístico que serve jantar e um lanchinho de manhã e conta com o melhor escritório da cidade com chá e wifi grátis - ótimo para esperar o bus que só sai as 22h, mas o preço é mais salgado, cerca de USD39 + taxas de internet. Em baixa temporada, deixe para comprar em Uyuni mesmo. Evite ao máximo ônibus noturnos para cruzar fronteiras!

  • Prefira Mochilões, malas de rodinha tendem a ser um estorvo em algumas cidades com ruas de pedra, morros, escadarias e no carregar/descarregar do 4x4.

  • Pratique o Portuñol! Peça permissão antes de tirar fotos de pessoas e animais acompanhados e deixe o cartão como segunda opção, a maioria das coisas só pode ser paga em dinheiro na Bolívia. Ande com uma sacolinha para seu lixo.

Próxima semana tem PERU e MACHU PICCHU!!! Fiquem ligados MUCHACHOS!!! Em seguida rola o ROTEIRO completo com preços, o que fazer (e o que não fazer), hotéis, passeios, lugares para visitar e comer, tudo FREE aqui no Blog!

 

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